Por toda a parte podem haver olhos, até os que não os seus pares... tudo pode ser motivo para enroscar, prender, abafar, abaixar, rasgar...
Desce pela pele, macia ou seca, percorre o teu suor em um nível que faz pensar em uma sauna cheia de gente, te olhando ou não.
Um simples afago pode tornar-se um apego que desce pelas mãos quentes até encontrar o teu valor secreto que nem sabia existir e nem descobriria sozinho como chegar até lá, mas te mostraram o caminho.. e nunca mais esquecerá.
Da próxima vez saberá exatamente como conduzir as mãos que te guiaram antes e que pareciam tão mais experientes que os seus próprios toques.. enfim, tudo é uma questão de instinto. Com paixão, o instinto guia cegamente as extremidades.
Elas são tão importantes que seu cuidado, sua leveza, se fazem fundamentais quando de encontro com a outra pele que não a sua, mesmo que aperte ou puxe. Tudo tem sua medida inexata e depende de muitos outros fatores singelos.. coisas tão pequenas que podem tornar-se tão intensas como um frasco de veneno em forma de saliva doce.
Doce saliva, como preferir. Doce ou salgado, até o clima interfere na preferência e altera o sabor mais exato prescrito desde a sua nascença até o que te fez hoje. Visualmente, com muita ou pouca luz. Apesar do que se mostra, a estrada cega é a mais comum que pode acontecer se tudo for realmente natural.
Nada de precisão, mas tudo tem de ser bem feito, sem planejar. Algo como se o acaso fizesse seu discurso com a perfeição das curvas que dominam o corpo o mais beneficiado pela mãe natureza só que de uma maneira discreta onde você entenda somente nas entrelinhas que aquilo tudo levou ao teu desejo de estar junto e despido das vergonhas trazidas pelo homem branco quando chegou as terras brasileiras avistando os seios das índias pintadas.
No reflexo do espelho não mede-se o desempenho, apenas observa-se o rosto, as formas que ele toma a cada parte do seu toque e da sua saída mais próxima para o próximo atalho.. uma mudança leve no trajeto e tudo fica de outro jeito. De preferência pra melhor.
Mas você não pensa que tudo pode ser tão sutil como realmente aparenta. De fato pode não ser.. mas só há uma maneira de descobrir e ela não dispensa a presença, quebrar regras ou padrões.
Ela delicia-se da maneira politicamente errada em ser chamada de sacanagem.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Vida Doce
Aguardo a chegada de um cliente por aqui... vou contar uma história.
Há um ano atrás eu estava com uma lesão séria no ombro junto com a tendinite amiga por causa do excesso de trabalho e exercícios físicos. Hoje não recomento estes excessos a ninguém, seja por dinheiro, seja por vontade.
Ganhei muito com tudo isso, mas a saúde foi ficando pra depois. Quando percebi que minha vida estava sendo prejudicada (desmarquei clientes de praticamente um mês inteiro) e eu, na faixa dos vinte estava com uma lesão dessas, resolvi procurar ajuda médica.
Sem brincadeira nenhuma, passei por onze médicos e somente o décimo primeiro soube me diagnosticar corretamente e "acabar" com o problema, já que eu estava agendado para uma conversa com um cirurgião. Foi indicação de uma amiga, em um churrasco onde estava indo embora mais cedo por não parar de sentir fortes dores... precisava dos meus analgésicos. Tratei com acupuntura e sim, ela funciona, pessoal.
Depois de tudo, diminuí o ritmo frenético de trabalho, aprendi a fazer refeições sentado, aprendi a meditar e a ser mais paciente, a enxergar novos horizontes e a entender um pouco melhor essa loucura que é a vida.
Tive que acreditar. Só aqueles que estavam mais perto de mim e que são MUITO importante pra todo esse mecanismo da vida funcionar, sabem o que eu passei. Acreditei em mim, nas pessoas queridas, na vida e nos profissionais. Ter fé, acreditar, enfim, chame do que quiser, aqui eu nunca pregarei sobre religião ou filosofias complexas, isso é muito pessoal
Enfim, esse vídeo é uma canção de Marcelo Camelo, que eu toco em comemoração à minha volta pra música, que tive que abandonar durante todo esse período. Não foi nada fácil!
Não é pra fazer sucesso, eu não vivo disso: se você não gostou, pelo menos leu até aqui e eu achei graça.
Levantem seus copos.
A vida é doce, acreditem.
domingo, 13 de maio de 2012
Tatuador... e mais o quê?!
Coloco em palavras nesta madrugada algo que acredito acontecer com muitos profissionais, a famosa pergunta: "Ahh, você é X e mais o quê?!" como se o que você faz não fosse profissão.
E hoje, vos digo, amigos, inimigos, leitores fiéis e esporádicos: sim, SOU "APENAS" TATUADOR, pra quem já sabe e pra quem não sabia, fique sabendo.
Eu já limpei chão, banheiro, descartei materiais do estúdio em que trabalhava, enquanto estudava de noite e tatuava de madrugada os amigos em casa para no dia seguinte continuar com a mesma rotina, acreditando estar subindo um degrau de cada vez. Não para ganhar prêmios e badalações, mas por um merecimento e estabilidade profissional. Fazer o que se gosta, principalmente quando o assunto é arte, é difícil e todos sabem.
MAS graças a uma força superior, não me questionaram isso muitas vezes: foram APENAS 3. E também graças a minha consciência e auto-controle, não fiz o que passou pela minha cabeça quando escutei a pergunta.
Gente, sem lamentação, sem mimimi's, minha ideia é simples: você deve respeito ao profissional com quem estiver lidando, independente de onde, quanto ou por qual motivo foi procurá-lo. E este é um detalhe IMPORTANTÍSSIMO - você foi procurá-lo, ele não foi atrás de você!
Se você já fez essa pergunta pra algum profissional, considere-se babaca. De verdade, um invasivo babaca com uma série de preconceitos nesse cérebro que está prestes a explodir com tanta informação burra.
Em primeiro lugar, você não precisa saber o que o cara faz da vida dele, se ele quiser ser drag queen de noite, o que você tem a ver com isso?
Em segundo lugar, tudo é uma questão de bom senso.
Duvido que quem faz esse tipo de pergunta, já a fez para o seu advogado. Estou errado?!
Isso vem de uma série de conceitos estabelecidos e, pior, FALTA DE LIMITE, que esse tipo de pessoa não teve durante a sua criação. Quem deu essa intimidade pra essa pessoa? Se você, profissional questionado, abriu oportunidade pra um questionamento desses, sem problemas.
Mas a pessoa invasiva não se contenta em estar e ser, simplesmente. Ela quer mais. E neste mais, muitas vezes incluem-se questionamentos impensados.
E se você acha que me perguntaram isso ontem, semana passada ou ainda neste ano, estão enganados.
A última dessas que eu ouvi foi há 2 anos atrás, quando eu já vivia "apenas" com a tatuagem.
Mas conversando com uns amigos o assunto foi lançado no ar e me lembrei dessa história toda... resolvi compartilhar!
Assim como eu não saio enfiando cartões de visita na cara das pessoas, o mesmo respeito deve haver na outra parte.
Fica a dica pra galera que pensa assim, ter a chance de pensar duas vezes antes de perguntar algo pra alguém, principalmente se não tem intimidade e liberdade suficiente com ela e pra quem não pensa, fica meu desabafo!
Meu total apoio ao ARTISTA BRASILEIRO que vive direta ou indiretamente da arte e sabe que esse é um CAMINHO DE PEDRAS para todos nós! Músicos, poetas, pintores, tatuadores, grafiteiros, rimadores, desenhistas, artesãos, tias do bordado... seguimos na estrada!
Cada um guarda pra si o que faz da vida e compartilha se quiser.
RESPEITO.
E hoje, vos digo, amigos, inimigos, leitores fiéis e esporádicos: sim, SOU "APENAS" TATUADOR, pra quem já sabe e pra quem não sabia, fique sabendo.
Eu já limpei chão, banheiro, descartei materiais do estúdio em que trabalhava, enquanto estudava de noite e tatuava de madrugada os amigos em casa para no dia seguinte continuar com a mesma rotina, acreditando estar subindo um degrau de cada vez. Não para ganhar prêmios e badalações, mas por um merecimento e estabilidade profissional. Fazer o que se gosta, principalmente quando o assunto é arte, é difícil e todos sabem.
MAS graças a uma força superior, não me questionaram isso muitas vezes: foram APENAS 3. E também graças a minha consciência e auto-controle, não fiz o que passou pela minha cabeça quando escutei a pergunta.
Gente, sem lamentação, sem mimimi's, minha ideia é simples: você deve respeito ao profissional com quem estiver lidando, independente de onde, quanto ou por qual motivo foi procurá-lo. E este é um detalhe IMPORTANTÍSSIMO - você foi procurá-lo, ele não foi atrás de você!
Se você já fez essa pergunta pra algum profissional, considere-se babaca. De verdade, um invasivo babaca com uma série de preconceitos nesse cérebro que está prestes a explodir com tanta informação burra.
Em primeiro lugar, você não precisa saber o que o cara faz da vida dele, se ele quiser ser drag queen de noite, o que você tem a ver com isso?
Em segundo lugar, tudo é uma questão de bom senso.
Duvido que quem faz esse tipo de pergunta, já a fez para o seu advogado. Estou errado?!
Isso vem de uma série de conceitos estabelecidos e, pior, FALTA DE LIMITE, que esse tipo de pessoa não teve durante a sua criação. Quem deu essa intimidade pra essa pessoa? Se você, profissional questionado, abriu oportunidade pra um questionamento desses, sem problemas.
Mas a pessoa invasiva não se contenta em estar e ser, simplesmente. Ela quer mais. E neste mais, muitas vezes incluem-se questionamentos impensados.
E se você acha que me perguntaram isso ontem, semana passada ou ainda neste ano, estão enganados.
A última dessas que eu ouvi foi há 2 anos atrás, quando eu já vivia "apenas" com a tatuagem.
Mas conversando com uns amigos o assunto foi lançado no ar e me lembrei dessa história toda... resolvi compartilhar!
Assim como eu não saio enfiando cartões de visita na cara das pessoas, o mesmo respeito deve haver na outra parte.
Fica a dica pra galera que pensa assim, ter a chance de pensar duas vezes antes de perguntar algo pra alguém, principalmente se não tem intimidade e liberdade suficiente com ela e pra quem não pensa, fica meu desabafo!
Meu total apoio ao ARTISTA BRASILEIRO que vive direta ou indiretamente da arte e sabe que esse é um CAMINHO DE PEDRAS para todos nós! Músicos, poetas, pintores, tatuadores, grafiteiros, rimadores, desenhistas, artesãos, tias do bordado... seguimos na estrada!
Cada um guarda pra si o que faz da vida e compartilha se quiser.
RESPEITO.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Realidade viva
Saio pra correr, como habitual. Tentando conectar a vida boêmia com a de um atleta amador...
O traje é preto, como a rotina (que eu não tenho) manda na maioria das vezes. Gosto da simplicidade da cor preta e como ela transmite tanto sem ter aparentemente nada.
O sol enfraquecido se põe ao longo da pista e, nos fones de ouvido, a complexidade e beleza do Funk Como Le Gusta. Penso tanto... Logo não sei o quão existo realmente.
Resolvo entrar no parque, pra dar uma, ou quem sabe duas, voltas em uma lagoa rodeada por árvores. Corro olhando baixo. Pura besteira, começo a olhar as copas das árvores... nuvens intercalam com a cor verde das folhas e eu sinto uma possibilidade de estar no meio do mato, mesmo estando na cidade.
As nuvens formam figuras diversas.. mas não posso perder o chão.
Retomo a pista. Por vezes me sentindo saudável, por vezes cansado e pensando no motivo de estar me exercitando e no quanto as pessoas piram nisso. Eu mesmo já pirei, fui rato de academia e me achava o máximo.
Saindo do parque dou de cara com um muro onde está pichado: "você está acordado?".
Pior que não saber responder esta questão é não saber se a resposta iria ser a correta... fujo de qualquer alucinógeno possível já que essa vida é aventurada o suficiente pra me tirar do eixo mais calibrado possível.
Mas nada que uma respirada mais profunda não traga novamente ao chão de piche que me encara ferozmente, como se desafiando a minha resistência, o meu fôlego.
Penso que não vou conseguir completar o percurso de 5Km dessa vez... Mas se tem algo que eu mais tenho além da persistência, é a teimosia. Se o piche me desafiou, lá vou eu completar a minha meta e ele vai ter de se consolar com a derrota.
O percurso solitário é um desafio, me desculpem se isto soar com arrogância, para os fortes.
Tanto faz se você estiver mais preocupado com os sucessos de sertanejo universitário que tocam (acredito eu) insistentemente nas rádios ou se ainda escuta AC/DC e John Fogerty. Tanto faz se a sua roupa custou mil ou vinte reais. O que importa é o que você consegue transmitir.
Chego em casa, feliz por completar minha meta. Exausto, além do normal.
Me alongo e penso para quantas pessoas sorri neste dia. Acho que cumpri minha meta.
Se não cumpri, tenho amanhã pra tentar de novo.
O traje é preto, como a rotina (que eu não tenho) manda na maioria das vezes. Gosto da simplicidade da cor preta e como ela transmite tanto sem ter aparentemente nada.
O sol enfraquecido se põe ao longo da pista e, nos fones de ouvido, a complexidade e beleza do Funk Como Le Gusta. Penso tanto... Logo não sei o quão existo realmente.
Resolvo entrar no parque, pra dar uma, ou quem sabe duas, voltas em uma lagoa rodeada por árvores. Corro olhando baixo. Pura besteira, começo a olhar as copas das árvores... nuvens intercalam com a cor verde das folhas e eu sinto uma possibilidade de estar no meio do mato, mesmo estando na cidade.
As nuvens formam figuras diversas.. mas não posso perder o chão.
Retomo a pista. Por vezes me sentindo saudável, por vezes cansado e pensando no motivo de estar me exercitando e no quanto as pessoas piram nisso. Eu mesmo já pirei, fui rato de academia e me achava o máximo.
Saindo do parque dou de cara com um muro onde está pichado: "você está acordado?".
Pior que não saber responder esta questão é não saber se a resposta iria ser a correta... fujo de qualquer alucinógeno possível já que essa vida é aventurada o suficiente pra me tirar do eixo mais calibrado possível.
Mas nada que uma respirada mais profunda não traga novamente ao chão de piche que me encara ferozmente, como se desafiando a minha resistência, o meu fôlego.
Penso que não vou conseguir completar o percurso de 5Km dessa vez... Mas se tem algo que eu mais tenho além da persistência, é a teimosia. Se o piche me desafiou, lá vou eu completar a minha meta e ele vai ter de se consolar com a derrota.
O percurso solitário é um desafio, me desculpem se isto soar com arrogância, para os fortes.
Tanto faz se você estiver mais preocupado com os sucessos de sertanejo universitário que tocam (acredito eu) insistentemente nas rádios ou se ainda escuta AC/DC e John Fogerty. Tanto faz se a sua roupa custou mil ou vinte reais. O que importa é o que você consegue transmitir.
Chego em casa, feliz por completar minha meta. Exausto, além do normal.
Me alongo e penso para quantas pessoas sorri neste dia. Acho que cumpri minha meta.
Se não cumpri, tenho amanhã pra tentar de novo.
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